Aos seis anos deixei o Seu Cristóvão se afogar no açude. Ele era um homem bom. O açude não era muito fundo. Ele ficou preso lá gritando. Mas ninguém podia ouvi-lo. Ele não me fez nada. Mas ele precisava morrer porque ninguém iria sentir falta dele. E assim foi. Até hoje ninguém perguntou nada sobre isso. Eu fui pescar no açude e ele não tinha parentes. Eu vi ele gritar por horas, ele também me viu, e a sua agonia não me contorceu um músculo. Ele ficou com o pé preso no fundo porque inventou de nadar quando todos diziam para não brincar no açude. Mas ele era velho.