Aos seis anos deixei o Seu Cristóvão se afogar no açude. Ele era um homem bom. O açude não era muito fundo. Ele ficou preso lá gritando. Mas ninguém podia ouvi-lo. Ele não me fez nada. Mas ele precisava morrer porque ninguém iria sentir falta dele. E assim foi. Até hoje ninguém perguntou nada sobre isso. Eu fui pescar no açude e ele não tinha parentes. Eu vi ele gritar por horas, ele também me viu, e a sua agonia não me contorceu um músculo. Ele ficou com o pé preso no fundo porque inventou de nadar quando todos diziam para não brincar no açude. Mas ele era velho.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
domingo, 3 de agosto de 2014
No dia em que eu nasci, estava predestinado. Uma nuvem negra pairou sobre a maternidade. Matei minha mãe no parto. Roubei-lhe a tristonha vida. Nunca fui amamentado em seu colo quente e aconchegante. Foi uma morte brusca. De uma vida que evanesceu de repente. Sem saber que era maldito. Era o ponto cego do meu nascimento, o nascimento da morte. Onde a vida principia, também a morte se inicia. E como príncipe da morte fui ungido, sob o signo da maldição que recaiu sobre mim.
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Eu não mato pessoas porque elas mereçam morrer. Eu matei um homem. PRECISO DIZER. Sei que haverá alguém aqui para me ouvir. Quando vim até aqui pela primeira vez... Um homem não, mais de um, vários. E mulheres. E crianças. Eu não estava preparado. Também já matei um gato, mas este não vou contar. Eu tenho muitos nomes. Eu vou falar pouco sobre mim no começo. Vou logo contar como matei a primeira dessas gentes.
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